domingo, 15 de abril de 2012

15- Produção da identidade/diferença: culturas juvenis e tecnocultura

Adolescência e contemporaneidade A adolescência é uma produção social. Cada contexto sócio-histórico define uma pauta de expectativas e concepções sobre os adolescentes e a adolescência, nela incluindo aspectos fisiológicos, sexuais, afetivos, sociais, políticos e institucionais, de forma a orientar o papel dos neófitos em diferentes níveis da vida sociocultural. Além disso, aspectos religiosos, de gênero, a posição na família, a inserção de classe, e o significado relativo de cada um desses diferentes processos interferem na demarcação do intervalo entre o término da infância e a entrada na vida adulta, qualificando a duração da adolescência. O sistema semiótico no qual se insere a adolescência, hoje, engloba características tais como jovialidade, longevidade e imediatismo, mas igualmente intransigência, irresponsabilidade, labilidade emocional e imprevisibilidade. Apesar de esses aspectos estarem claramente associados a um enquadre da experiência adolescente circunscrita aos contextos socioeconômicos mais altos, tendem a ser elevados ao status de regras gerais. Tais regras demonstram sua fragilidade quando consideramos a diversidade de modos de vivenciar a adolescência, no contexto da contemporaneidade, quando incluímos na análise as diferenças entre os que vivem em deferentes segmentos econômicos; nas camadas populares urbanas ou rurais; em famílias estruturadas segundo diferentes configurações sociais e sexuais; no seio de minorias étnicas, religiosas e raciais. Fonte: "Tribos urbanas como contexto de desenvolvimento de adolescentes: relação com pares e negociação de diferenças" de Maria Cláudia Santos Lopes de Oliveira, Adriana Almeida Camilo e Cristina Valadares Assunção.

12- Multiculturalismo: encaminhamentos pedagógicos

Filme "Escritores da Liberdade" e o multiculturalismo Direção: Richard Lagravenese. Produção: Richard Lagravenese. Roteiro: Richard Lavagranese, Erin Gruwell, Freedom Writers. Local:EUA/Alemanha, 2007. Duração: 123 min. Genero:Drama. Elenco: Pat Carroll, Patrick Dempsey, Jason Finn, Scott Glenn, David Goldsmith, Kristin Herrera, Blake Hightower, John Benjamin Hickey, Will Morales, Anh Tuan Nguyen, Vanetta Smith, Imelda Staunton, Hilary Swank, Deance Wyatt; Scott Glenn, April Lee Hernandez; Jacklyn Ngan; Sergio Montalvo. O filme escritores da liberdade aborda, de forma instigante e tocante, o desafio da educação e de uma educadora em um contexto social precário e violento, tudo acontece em uma cidade que vive uma verdadeira guerra nos seus bairros mais pobres, causados por gangues que são movidos pelas tensões raciais. Inicia-se com uma jovem professora inexperiente, cheia de sonhos e expectativas, entra em uma instituição de ensino médio para lecionar, língua inglesa e literatura para grupo de educandos adolescentes, ex-participantes de gangues e sofridos com essa realidade em que vivem. Ao perceber a realidade de sua sala de aula a professora resolve mudar sua metodologia, baseada na história de seu pai, um guerreiro que na juventude, também foi membro de gangue lutou pela sua liberdade, de forma honrosa, inspiradora e baseado em princípios educacionais. Procura ajuda com a direção da escola e é ignorada, percebendo que escola recebe esses educando não com a preocupação de forma cidadãos e sim por obrigatoriedade legislativa.

11- Políticas culturais, multiculturalismo e currículo

A Educação Escolar Indígena e o Plano nacional de Educação Em 09 de janeiro de 2001 foi promulgado o Plano Nacional de Educação, também conhecido pela sigla PNE. Ele apresenta um capítulo sobre a educação escolar indígena, dividido em três partes. Na primeira parte faz-se um rápido diagnóstico de como tem ocorrido a oferta da educação escolar aos povos indígenas. Na segunda parte, apresentam-se as diretrizes para a educação escolar indígena. E na terceira parte, estão os objetivos e metas que deverão ser atingidos, a curto e a longo prazo. Entre os objetivos e metas previstos no Plano Nacional de Educação destaca-se a universalização da oferta de programas educacionais aos povos indígenas para todas as séries do ensino fundamental, assegurando autonomia para as escolas indígenas, tanto no que se refere ao projeto pedagógico quanto ao uso dos recursos financeiros, e garantindo a participação das comunidades indígenas nas decisões relativas ao funcionamento dessas escolas. Para que isso se realize, o Plano estabelece a necessidade de criação da categoria escola indígena para assegurar a especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngüe e sua regularização junto aos sistemas de ensino. Fonte: http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/educacao-escolar-indigena/referencial-curricular-nacional-para-escola-indigenas

8- A característica multicultural da sociedade contemporânea e suas consequências para a convivência democrática

7- Identidade e diferença na perspectiva dos Estudos Culturais

O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI — O meu nome é Severino, como não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias. Mais isso ainda diz pouco: há muitos na freguesia, por causa de um coronel que se chamou Zacarias e que foi o mais antigo senhor desta sesmaria. Como então dizer quem falo ora a Vossas Senhorias? Vejamos: é o Severino da Maria do Zacarias, lá da serra da Costela, limites da Paraíba. Mas isso ainda diz pouco: se ao menos mais cinco havia com nome de Severino filhos de tantas Marias mulheres de outros tantos, já finados, Zacarias, vivendo na mesma serra magra e ossuda em que eu vivia. Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida: na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra, no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas e iguais também porque o sangue, que usamos tem pouca tinta. E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte de fome um pouco por dia (de fraqueza e de doença é que a morte severina ataca em qualquer idade, e até gente não nascida). Somos muitos Severinos iguais em tudo e na sina: a de abrandar estas pedras suando-se muito em cima, a de tentar despertar terra sempre mais extinta, a de querer arrancar alguns roçado da cinza. Mas, para que me conheçam melhor Vossas Senhorias e melhor possam seguir a história de minha vida, passo a ser o Severino que em vossa presença emigra.

4- Os Estudos Culturais e a vivência democrática

3- A globalização e o impacto sobre as culturas

A GLOBALIZAÇÃO UNE MUNDOS DISTINTOS E INTERDEPENDENTES Duas crianças em mundos a parte. Estão conectadas pelos sapatos que uma fabrica e a outra usa. Duas crianças: uma branca, loira. Mais adiante podemos imaginar que se trata de uma criança norte-americana. Outra criança, asiática. Dadas as condições de vida podemos imaginar que pode ser da China, Tailândia, Vietnã ou outro país do sudeste asiático. A primeira tomada já apresenta diferenças significativas. Enquanto uma criança branca dorme sozinha em sua cama repleta de objetos pessoais crianças asiáticas dividem um espaço que não se pode chamar de quarto, seria um corredor? Seria a diferença da cultura do individualismo ocidental de um lado e do outro o "formigueiro humano" asiático? As crianças asiáticas acordam aos gritos e chutes de uma mulher. Uma tela dividida. Lado direito e esquerdo? Ou seria hemisfério ocidental e oriental? A criança branca levanta-se, troca de roupa, muda de lugar (um banheiro) e escova os dentes. Vemos objetos pessoais. As crianças asiáticas levantam-se e não trocam de roupa. Algumas dormiram sem camisas (faz calor). Uma criança lava-se numa bacia ao lado do lugar onde dormira. Criança branca- uma casa: sala com eletroeletrônicos, cozinha e uma mesa onde come o menino vendo televisão. Comida e suco. Criança asiática- uma casa(?)-fábrica-oficina, bancadas com ferramentas e crianças alinhadas. Linha de produção. Menino cuida das solas de sapatos. Solas e cola. De um lado cores e luz. De outro, preto e cinza, um lugar sombrio. Criança branca- uma mulher ao fundo parece cuidar porque provavelmente foi ela quem preparou a comida do menino. Criança asiática- uma mulher que manda e bate na cabeça do menino. Fala de forma imperativa e bate a mão na bancada. O menino não a fita. Seu olhar é baixo. Criança branca- sai de casa, caminha pela calçada em direção à escola. Pelo caminhar o menino parece ter seu próprio tempo. Não tem pressa. Criança asiática- vive o tempo da produção. Ele não tem tempo para si. Menino asiático- toma outro tapa! Olhar baixo. Menino branco- outro ambiente: sala de aula. Recebe um toque afetivo da professora. Um livro na mão. Crianças enfileiradas, só que aprendendo. Ele vai até a lousa, professora comenta sua participação. Menino asiático- sola, cola. Menino branco- outro ambiente. Jogos, brincadeiras, lanche. Meninos asiáticos amontoados- outro ambiente? Comem. Alimentam-se? Menino branco- desenha dragões: símbolo mitológico asiático. Ele vive e estuda sua cultura e ainda pode estudar a cultura do outro. Menino asiático- não vive. Sola e cola. Instrumentos e ferramentas: Caixa de canetas coloridas- a diversidade da vida, o lúdico, a possibilidade de escolha. Pincel de passar cola e sola- o trabalho forçado, a monotonia do preto e do cinza. Uma vida sem escolhas. Menino branco- outro ambiente: em casa joga bola. Menino asiático- cola sola. Menino branco- no seu quarto troca de roupa. tira os sapatos. Menino asiático- suas mãos fabricam sapatos que calçam os pés da criança branca. "Some things cost more than you realise" Algumas coisas custam mais do que você imagina. O globo no quarto. Estas duas crianças vivem no mesmo planeta por mais incrível que isto possa ou não parecer. Elas não tem culpa nem responsabilidade, mas estão cruelmente conectadas. Há uma interdependência que não deveria existir. Elas representam a divisão entre o mundo que pode desfrutar e aquele que apenas tem a mão-de-obra (barata) a vender. É a globalização do capital que integra lugares que consomem e lugares que produzem. É a Divisão Internacional do Trabalho que tem de um lado países de grande concentração de capital, que dominam a tecnologia e comandam. De outro temos países dependentes de capitais e que se subordinam às transnacionais que buscam nestes países somente facilidades para a reprodução do seu capital. A criança branca pode ser européia, norte-americana. A criança asiática pode ser do país que está gravado no seu tênis logo depois do "Made in..."